terça-feira, 27 de julho de 2010

SAÚDE

Dieta de Jesus – Reeducação Alimentar

Publicado: 5 05UTC maio 05UTC 2010 por Silvia Saron em Brasil
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Por Ulrica D’Orey

A dieta de Jesus desta vez, a receita de bem-estar vem literalmente dos céus: inspirada na alimentação de Cristo, uma dieta que promete energia, saúde e, de quebra, a perda de alguns quilos está dando o que falar. Para você decidir se quer ou não se converter a ela, CLAUDIA conversou com seu idealizador, o americano Don Colbert, e especialistas brasileiros.As chamadas “dietas da Bíblia”, que ganham cada vez mais fama, têm como base os alimentos citados no Velho e no Novo Testamento. O médico nutrólogo e pastor americano Don Colbert, 49 anos, foi o primeiro a buscar a inspiração divina: em 2002, lançou What Would Jesus Eat? (no Brasil, O que Jesus comeria?), que virou best-seller. Don garante aos leitores que é possível seguir os exemplos de Cristo – inclusive na alimentação para controlar o peso. “A publicação não tem intenções religiosas. Nela, provo cientificamente que os alimentos daquela época fazem bem à saúde e mostro como tirar proveito deles”, diz.Mais do que dieta, o autor afirma propor um programa de reeducação alimentar. “É uma questão de estilo de vida. A perda de peso, de até 1 quilo por semana, é apenas conseqüência.” Dois exemplos de Jesus que o autor nos incentiva a seguir: medir bem as porções (lembre-se de que a gula é pecado) e comer com calma, aproveitando a refeição. E quanto à dieta em si? Para o endocrinologista Ricardo Botticini Peres, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o programa nada mais é do que uma mistura da dieta mediterrânea com a segunda fase da dieta de South Beach. O médico nutrólogo Edson Credidio, diretor da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), em São Paulo, concorda e acrescenta: “O diferencial está em usar um mito como Jesus para fazer uma releitura dessas dietas”. Com a lista dos alimentos permitidos na mão, pedimos a eles e a outros especialistas que analisassem com mais detalhes o que Colbert prega:


Peixes


A alimentação de Jesus baseava-se praticamente em peixe. Camarões e moluscos, porém, eram considerados impuros. Para o endocrinologista Tércio Rocha, da Academia Brasileira Antienvelhecimento, os peixes, de preferência os de água fria, podem ser ingeridos todos os dias. “Sua gordura é poliinsaturada e rica em ômega 3, o que aumenta o colesterol bom e diminui o ruim”, diz. Com frutos do mar, a coisa muda de figura. “Camarões, ostras e moluscos se alimentam de dejetos, têm alto teor de ácido úrico e aumentam o colesterol ruim.”
Carne
Mais que carne de vaca, Jesus comia as de cordeiro, cabra e aves. Mesmo assim, só em dias de festas e comemorações. Carne de porco não fazia parte do seu cardápio. “A carne – branca e vermelha – contém proteína de alto teor biológico, ferro, zinco e vitamina B, além de fornecer aminoácidos essenciais”, afirma Edson Credidio. “Se abrirmos mão dela totalmente, ficamos mais sujeitos a doenças e perdemos massa magra do tecido muscular. Acredito que os povos antigos não comiam certos alimentos mais pela dificuldade em obtê-los.” Tércio Rocha lembra que a carne suína é considerada impura e proibida até hoje por quem segue a religião judaica. Crua ou pouco cozida, pode transmitir tênia. “O problema é minimizado quando os porcos são criados em granjas grandes e limpas. Mas, como sua carne é gordurosa, deve ser consumida com moderação”, aconselha.
Pão
Marca registrada da alimentação de Cristo, era feito com grãos de trigo integral, água e azeite de oliva. O pão de grãos integrais de trigo, milho e cevada não conduz à compulsão alimentar, que os médicos garantem ser gerada pela farinha branca, processada. “O pão de Jesus não levava bromato ou gordura hidrogenada, que não são nada saudáveis. Era feito com azeite e manteiga de leite de cabra”, diz Tércio Rocha. Hoje, é importante consumir alimentos integrais. Três ou quatro fatias de pão ou três ou quatro xícaras de outros carboidratos integrais por dia não pesam na balança.
Bebidas de grãos de clorofila


Jesus tomava sucos com grãos integrais amassados e extrato de folhas, tirando proveito da clorofila. “O extrato de plantas verdes é rico em ferro, minerais, cálcio e vitamina C, o que ajuda a fortalecer o sistema imunológico. Os sucos continham ainda sementes de uva e azeite de oliva. Para fazer uma bebida com poder semelhante, bata folhas escuras (rúcula, agrião, espinafre) com suco de laranja ou tangerina. Tome pela manhã para ajudar o intestino a funcionar”, sugere Tércio.
Laticínios


Nos tempos bíblicos, só os bebês tomavam leite, de ovelha e de cabra. Os adultos ingeriam mais queijo e principalmente iogurte. Segundo Tércio, o  homem é o único mamífero que toma leite depois do desmame. “O alto consumo de leite de vaca está relacionado ao aumento da obesidade e do diabetes. O queijo fresco é a mesma coisa, pois tem muito soro. Se não quiser dispensá-los, por causa do cálcio e das proteínas, prefira as versões desnatadas.” Já o iogurte é importante para recompor a flora intestinal. “Recomendo iogurte desnatado com frutas frescas feito em casa. É um elixir da juventude”, assegura Edson.
Lentilhas, cebola e alho


Além do feijão e das ervas, eram os poucos vegetais e leguminosas da época. Feijão e lentilha são ricos em ferro, vitaminas e fibras, que ajudam a eliminar a gordura. O ideal é comer de duas a três conchas por dia. O alho e a cebola contêm princípios ativos poderosos – a alicina, que beneficia o sistema imunológico, e a quercetina, antioxidante capaz de baixar os níveis do LDL, o colesterol ruim.
Azeite de oliva


Pães, sucos e pratos em geral levavam azeite de oliva. “É um dos pilares da dieta mediterrânea. Com polifenóis e vitamina B, fortalece o sistema imunológico, é antiinflamatório e um poderoso antibiótico natural. Baixa o colesterol ruim e aumenta o bom, além de diminuir a formação de placas de gordura nos vasos do coração”, diz Tércio. Para manter a forma, consuma entre 50 e 100 mililitros, no máximo, por dia.
Vinho


Don Colbert recomenda que se tome um cálice por dia. O vinho tinto, sobretudo, é poderoso. Contém polifenóis, vitaminas e carotenos, antioxidantes que evitam o fechamento das artérias e coagulações internas do sangue. “Também previne doenças cerebrais e melhora a oxidação”, assegura Tércio.”É importante ressaltar que o vinho naquela época era apenas uma mistura de casca de uva, água e mel. Por isso, vale substituí-lo por suco de uva”, argumenta o endocrinologista Ricardo Peres. A nutricionista Vanderlí Marchiori concorda: “Um copo de suco de uva vermelha e mais 30 gramas de amendoim apresentam a mesma quantidade de resveratrol – substância antioxidante e benéfica para o coração – que uma taça de vinho tinto”.
Veja também Dieta da Bíblia¹Dieta da Bíblia²
Fonte: Claudia/Abril

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